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Gálatas: A lei na vida do evangelho

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Referencia: Gálatas: 3: 15-25.

 

INTRODUÇÃO: Paulo trata agora de um dos assuntos mais distorcido e mal entendido pelos cristãos: o relacionamento da lei e da graça. Eis a questão. Como posso ser salvo sem a lei, e ter que obedecer a lei do evangelho?

 

Sempre que ouvimos as afirmações radicais da salvação pela graça e  da liberdade cristã; deveríamos, na mesma hora, nos sentir compelidos a perguntar: Se estamos "livres da lei", quer dizer que não temos de obedecer à lei de Deus?

 

Se sou sempre salvo só pela atuação de Cristo e não pela minha, por que deveria lutar para levar uma vida santa? Porque tenho ainda a obrigação de guardar a lei de Deus? Por quê?

Na verdade, não há questão mais prática do que essa do relacionamento do cristão com a lei de Deus. As muitas outras dúvidas que temos sobre como viver — Como devo tratar meu cônjuge? Em que devo gastar meu dinheiro? Que arestas devo aparar no meu caráter?

Todas essas e outras indagações são originárias da indagação principal: Como cristão, qual o meu relacionamento com a lei de Deus?

No decorrer de sua carta aos gálatas, Paulo estabeleceu uma verdade basilar: que somos salvos, justificados e redimidos somente pela fé em Cristo, e não por nenhum tipo de justiça própria.

Portanto, ele chegou ao ponto em que o leitor cuidadoso indagará sobre onde é que a lei se enquadra na minha vida cotidiana. Assim, ele trata dessa questão crucial aqui.

I. A RELAÇÃO DA LEI E A GRAÇA.

 

1. Redigindo um testamento.  Paulo quer chamar a atenção para o que a lei não faz. Por isso começa falando "em termos humanos" (v. 15) — ou, traduzindo literalmente da NIV, ele toma "um exemplo da vida quotidiana".

 

Salienta que os contratos humanos envolvem obrigações e são difíceis ou impossíveis de se evitar. "Ninguém anula um testamento já validado, nem lhe acrescenta coisa alguma" (v. 15). A palavra escolhida por Paulo, diatheke, tem mesmo o sentido de testamento legal.

É um bom exemplo, claro, uma vez que, assinado o testamento em seu devido tempo e com valor legal, nós o consideramos um compromisso obrigatório, não importa que mudanças nas condições venham a ocorrer.

Assim é com as promessas de Deus. Por exemplo, se uma mulher deixa mais dinheiro para a filha pobre do que para a rica, o documento legal terá força de lei, mesmo se a filha rica perder todo o dinheiro no dia seguinte à morte da mãe. O testamento permanece a despeito das novas condições.

Paulo sabe que alguns poderiam ver que a lei de Moisés "veio quatrocentos e trinta anos mais tarde", em relação à promessa de salvação feita a Abraão (v. 17), e concluir: Ah! Isso muda tudo! Se pretendemos alcançar a bênção de Abraão, teremos agora de obedecer à lei de Moisés, como um meio de sermos justificados.

Mas ele diz e demonstra que essa conclusão é falsa: "A lei [...] não anula o testamento antes validado por Deus, cancelando a promessa" (v. 17). A lei de Moisés não pode converter a promessa de salvação de Deus a Abraão em algo diferente do que ela é — uma promessa.

Como pode a vinda da lei mudar a natureza da promessa de Deus a Abraão? A promessa de que haveria uma intervenção sobrenatural, pela graça, para propiciar bênção de salvação aos gentios (Gn 12.1,2; 15.1-6).

O argumento aqui é poderoso. Se a lei de Moisés viesse como uma forma de salvação, significaria que Deus mudou de ideia.

Ele teria decidido então que não precisaríamos de um Salvador e que passaria a dar sua bênção com base em desempenho, ou seja, da nossa obediência à lei, e não na promessa (Cristo). Embora fosse e ainda é impossível alguém satisfazer plenamente à obediência a lei.

Se a lei tivesse essa função, nada acrescentaria à promessa; antes a anularia por completo (v. 17)."Pois se a herança provém da lei, já não provém mais da promessa" (v. 18).

 

O princípio é que os próprios conceitos de "promessa" e "lei" são mutuamente excludentes.  Paulo diz na carta aos Romanos (4.14) “pois se os da lei é que são herdeiros, anula-se a fé e cancela a promessa”.

 

Ele está dizendo: Se lhe dou algo devido ao que prometi, não é em razão do seu desempenho. Se lhe dou algo devido ao que você fez, não é por causa da minha promessa.

 

Paulo é inflexível: ou algo vem pela graça ou pelas obras; ou algo vem em razão da promessa do doador ou por causa do desempenho do receptor. Tem de ser de um jeito ou do outro.

 

Se um pai promete um carro ao filho se ele passar no vestibular, a promessa é condicionada a obediência, é isto que a lei faz.  No caso da salvação ela é dada como promessa os pecadores, pela fé e não por causa do desempenho.

 

A salvação é oferecida gratuitamente aos homens e recebida pela fé, e não na necessidade de obras a fim de merecemos esta salvação.

 

A promessa da graça só precisa ser objeto de fé para que se cumpra, mas a lei exige obediência, como mérito para dar sua recompensa.

 

Isto não quer dizer que o evangelho não exige obediência daqueles que creem.  Ou seja, não precisa obedecer para crer, mas sim crer para obedecer. Para um salvo a Fé e a obediência são lados de uma mesma moeda.

 

Não posso dizer uma pessoa, que se você parar de beber, fumar e prostituir, você será salvo. Você precisa crer, para nascer de novo, aí sim, a nova natureza que recebemos, vive em conformidade como o evangelho, não bebendo, não fumando, não prostituindo. Por isso é um contrassenso, batizar alguém que continua bebendo e fumando, já que ela evidencia que não nasceu de novo.

 

2. A promessa da aliança

Se a lei de Moisés pretendesse ser o meio para a salvação, a promessa a Abraão não teria sido real. E "nesse caso", a promessa está selada por um testamento. Paulo está mais uma vez nos levando de volta a Gênesis 15.

 

Quando Abraão pergunta a Deus: "Como saberei que hei de recebê-la por herança?" (v. 8), referindo-se à promessa, Deus lhe diz para pegar uma novilha, uma cabra, um carneiro, uma rolinha e um pombinho. Abraão sabe o que fazer com eles: "cortou-os ao meio e colocou cada parte em frente da outra" (v. 10).

 

A atitude parece estranha para nós, mas, na época de Abraão, era a maneira como se "assinava" um testamento ou aliança. Cada signatário (parte) passava entre as metades dos animais.

 

Era um jeito (muito!) visual de quem estava firmando aquele pacto dizer: Se eu romper essa aliança, que também seja partido e separado: merecerei morrer, como aconteceu com estes animais.

O que há de surpreendente na aliança entre Deus e Abraão é que em momento algum Abraão caminhou entre as metades!"Caiu um profundo sono sobre Abrão" (v. 12).

 

Só o que anda entre elas é "um fogo fumegante e uma tocha de fogo que passaram entre aquelas metades" (v. 17). Que estranho fogo é esse? É Deus: "naquele mesmo dia o SENHOR fez uma aliança com Abrão" (v. 18).

 

A promessa de Deus a Abraão é uma promessa de aliança. Trata-se de uma aliança que em nada depende de Abraão, só de Deus. Ele preferiria morrer a quebrar a promessa de bênção a Abraão e a seus descendentes.

 

 Com Gênesis 15 em mente, Paulo chama a atenção dos gálatas para a impossibilidade de Deus acrescentar exigências de obediência da lei à sua promessa feita em aliança.

 

Ele próprio garantira que a cumpriria. Então, como e por que motivo haveria a lei de anular "o testamento" (v. 17)? Portanto, a lei de Moisés deve ter um propósito diferente.

 

Antes, porém, que prossigamos para ver qual era o propósito de Deus ao dar a lei, precisamos perguntar que relevância direta teria o argumento de Paulo aqui para os cristãos gálatas (e para nós hoje).

 

Eles não faziam parte do Israel físico e não estavam vivos na época em que as promessas foram feitas a Abraão, nem quando a lei foi entregue a Moisés.

 

No entanto, eles corriam o risco de viver o mesmo equívoco na história da redenção contra o qual Paulo argumenta neste contexto.

 

A interpretação errada que Paulo está corrigindo é a ideia de que Deus prometera salvação ao seu povo, mas essa bênção seria alcançada ou mantida pela obediência à lei. Se fosse assim os judeus não precisariam de Cristo, para serem salvos.

 

Como Paulo já salientara, os cristãos gálatas, "tendo começado pelo Espírito", estavam agora se "aperfeiçoando pela carne" (v. 3). Paulo quer deixar claro que uma oferta iniciada pela graça, como uma promessa voluntária, deve prosseguir até se cumprir nas mesmas bases — ou então deixa de ser promessa.

 

Assim aquilo que passa a se basear em mero desempenho pessoal, não pode mais ser um dom gratuito. Isso era tão verdadeiro em relação à aceitabilidade dos gentios diante de Deus quanto em relação ao Israel antigo.

 

Os crentes precisam ver a vida cristã; olhando além de si mesmos, para "Jesus Cristo [...] exposto [e] crucificado" (v. 1), confiando na promessa divina de que Cristo levou embora nossa maldição e nos concedeu sua bênção.

 

Mas, à medida que avançamos, é tentador e fácil olhar para dentro de nós mesmos, para nossa "carne" (v. 3), e viver apoiados em nosso próprio desempenho pessoal e tendo um falso senso de aceitação diante de Deus.

 

Confiar no nosso desempenho espiritual, no esforço humano, nos deixará radicalmente inseguro, pois nos priva da certeza e nos incita ao desespero ou ao orgulho.

 

Paulo quer que os cristãos gálatas tapem os ouvidos para os falsos mestres, a fim de desviar os olhos de si próprios e tornar a voltá-los para a cruz.

 

Qualquer que seja o motivo pelo qual Deus dá ordens, mandamentos, preceitos ao seu povo sobre como viver, não é jamais para que conquistemos a aceitação dele.

 

Não há nada que possamos fazer, por melhor e santo que seja pode nos tornar mais aceitos e amados por Deus.

 

A promessa precede a lei. A lei não pode coexistir com a promessa na produção da bênção da salvação; a lei não substitui promessa como fonte de bênção. Israel era uma nação que devia confiar na promessa de Deus; o mesmo vale para cada cristão.

 

II. A VERDADEIRA UTILIDADE DA LEI.

Cabe aqui o alerta de Calvino (pg 109, 110 comentário: Gálatas; editora fiel). (abre aspa) “Quando ouvimos que a lei não tem influencia na obtenção da justificação, podemos achar que ela é inútil, ou que é contraria à aliança, ou algo dessa natureza. Aqui Paulo não fala apenas da lei moral mas de todo o ministério de Moisés.

 

A lei de Moisés tem muitas utilidades, mas Paulo está apenas se limitando citar uma que serve ao assunto que está em defendendo. Ele não está analisando todos os propósitos a que serve a lei, exceto o que é expresso nesta passagem. 

 

Logo a definição de utilidade da lei apresentada neste texto não está completa; e estão errados aqueles que não reconhecem outra utilidade da lei. “(fecha aspa)

 

Paulo mesmo aplica os preceitos da lei ao ensino e à exortação; ele mesmo cita expressões, “não ensina a lei”.  Em (2Tm 3.16), ele diz que cada parte da Escritura é inspirada e é proveitosa para o ensino, exortação, correção e educação na justiça e ele está se referindo ao Antigo Testamento.

 

O salmo 119 de Esdras que fala da importância da Palavra de Deus se refere primeiramente a lei de Deus, no Pentateuco. Paulo diz em 1 Timóteo 1.8 “Sabemos, todavia, que a Lei é boa, se alguém a usa de forma adequada” (KJ).

 

1. O propósito da lei.

Por fim, no versículo 19, Paulo nos conta qual o objetivo da lei! Ela "foi acrescentada por causa das TRANSGRESSÕES", até a vinda de Cristo. A lei não veio nos falar sobre salvação, mas sobre pecado.

 

Seu principal propósito é mostrar-nos nosso problema — somos infratores da lei — e provar que não podemos ser a solução, visto que somos incapazes de ser perfeitos cumpridores da lei. 

 

Alguém pode argumentar usando (Rm) 7:12: De maneira que a Lei é santa, e o mandamento, santo, justo e bom.  Se a lei é uma norma para uma vida piedosa, porque ela foi dada por causa das transgressões e não por causa da obediência?

 

A resposta é simples, por mais que a lei realce a verdadeira justiça, a instrução da lei, devido a corrupção da nossa natureza, vai simplesmente realçar, ampliar ainda mais as nossas transgressões.

 

“Pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20); “onde não a lei; não há transgressão” (Rm 4.15); “eu não teria conhecido o pecado, se não fosse através da lei“ (Rm 7.7).

 

O proposito da lei é revelar o pecado e não removê-lo. Ou seja, a lei é como um espelho, ela mostra a sujeira no rosto, mas pode limpa-lo, ela mostra a enfermidade, mas não tem a cura.

 

Somente na regeneração é que o Espirito Santo, que nos é dado a escreve em nosso coração.  Somente a nova criação de Deus, pode viver segundo a lei. (Gl 5.18) “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei”.

 

No versículo 21, Paulo diz que Deus nunca pretendeu que sua lei "CONCEDESSE vida", do contrário conseguiríamos nos tornar justos por meio dela.

 

Na verdade, "a Escritura [i.e., o Antigo Testamento] colocou tudo debaixo do pecado" (v. 22). O grego de Paulo é um pouco mais vívido do que o português neste trecho. Literalmente, ele diz que "a Escritura aprisionou todo o mundo no pecado".

 

Essa não é uma função das Escrituras em que costumemos nos concentrar! A lei o fez ver (e sentir) que estava moralmente desamparado. Ele constatou que não era simplesmente pecador, mas prisioneiro do pecado, impotente para se libertar ou se curar.

 

Esse é o propósito da lei. Ela mostra que o problema não é o fato de "não estarmos à altura" da vontade de Deus, o que exigiria apenas um esforço extra de nossa parte para obtermos melhores resultados, mas, sim, que estamos completamente debaixo do poder do pecado, precisando de resgate.

 

A lei tem o poder de nos mostrar que não somos justos; mas não tem como nos dar o poder de sermos justos. Na verdade, quando vemos os padrões de Deus, tentamos alcançá-los e fracassamos, a lei nos mostra que não temos esse poder.

 

Não há como a "justiça" vir "pela lei" (v. 21b). Por irônico que pareça, se pensamos que conseguimos ser justos segundo a lei, deixamos de compreender a ideia principal da lei.

 

Em suma, Paulo diz, a lei revela nosso pecado "para que a promessa fosse dada aos que creem" (v. 22b). A lei faz seu trabalho de nos conduzir rumo ao reconhecimento de nossa necessidade de salvação pela graça. A lei só podia justificar o justo, mas a graça justifica o pecador.

 

A lei, então, não se opõe à salvação pela graça por intermédio de Cristo, antes a apoia, ressaltando a necessidade que temos dela. Pois o mesmo Deus que deu a promessa a Abraão, deu a lei a Moisés. Não podemos colocar Abraão contra Moisés e nem a lei contra o evangelho. 

 

2. A lei aponta para a promessa

Paulo usa duas metáforas para caracterizar o modo como a lei opera na vida cristã.

 

(a) A lei é um guarda."Mas, antes que viesse a fé, éramos mantidos debaixo da lei, nela confinados para a fé que haveria de ser revelada" (v. 23). As palavras gregas para "mantidos debaixo" e "confinados" significam ser protegidos por guarda militar.

 

(b) A lei é um professor.A lei é um tutor, um paidagogos, sob cuja supervisão (i.e., tutoria) vivemos. "A lei se tornou nosso guia (aio) para nos conduzir a Cristo" (v. 24). Nos lares da época de Paulo, o tutor ou guardião costumava ser um escravo que supervisionava educava os filhos para os pais. Encontraremos essa metáfora de novo no capítulo 4.

 

Em ambos os casos, o guarda e o tutor eliminam a liberdade. Em ambos os casos, o relacionamento com a "lei" não é íntimo nem pessoal; baseia-se em recompensas e castigos. E, em ambos os casos, somos tratados como crianças, ou pior.

 

Assim, Paulo descreve todas as religiões ou piedades não baseadas no evangelho, caracterizando-as por:

Ø  Um senso de escravidão.

Ø  Uma relação impessoal com o divino, motivada pelo desejo de recompensas e pelo medo de castigos.

Ø  Ansiedade e medo acerca da própria posição perante Deus.

 

Mas a segunda metáfora (diferente da primeira) nos mostra que o verdadeiro propósito da lei é instrutivo. Ela aponta para além de si mesma, como o tutor busca preparar as crianças para viver como pessoas adultas e livres. A lei aponta para:

 

Ø  Não uma vida de confinamento, mas de liberdade.

Ø  Não um relacionamento impessoal, mas pessoal com Deus.

Ø  Não a imaturidade, mas a maturidade de caráter.

 

Assim, o Antigo Testamento requer que as pessoas amem "O SENHOR, [seu] Deus, de todo o [seu] coração" (Dt 6.5) e que sejamos o povo "em cujo coração está a minha [de Deus] lei" (Is 51.7).

 

A lei (se de fato lhe dermos ouvidos) enfatiza sem parar que necessitamos de justiça, de poder, de um amor por Deus que estão além de nós mesmos e além da lei. Ela diz que necessitamos de salvação pela graça.

 

John Stott diz: “Depois de dar a promessa a Abraão, Deus deu a lei a Moisés. Por quê? Tinha de piorar as coisas antes de poder melhorá-las. A lei expôs o pecado, provocou-o, condenou-o. O propósito da lei era levantar a capa de respeitabilidade do homem e revelar como ele de fato era por baixo — pecador, rebelde, culpado, sob julgamento de Deus e impotente para se salvar”.

 

Ainda hoje a lei deve cumprir a tarefa dada por Deus. Um dos grandes erros da igreja contemporânea é a tendência de amenizar o pecado e o juízo na pregação. Nunca devemos contornar a lei e ir diretamente ao evangelho. Fazer isso é contradizer o plano de Deus na história bíblica. É sonegar o evangelho ao povo.

Nenhum homem jamais soube apreciar o evangelho até que a lei lhe fosse revelada primeiro. Só na escuridão do céu é que as estrelas vão brilhar; e só contra o fundo escuro do pecado e do juízo, é que o evangelho reluz?

 

Muitos cristãos (embora não todos) testemunham que, ao tomarem consciência de sua necessidade de Deus, passaram por um período de imaturidade em que se tornaram extremamente religiosos.

 

Buscaram com diligência emendar seus caminhos e até realizaram tarefas religiosas na intenção de "purificar sua vida". Aparentemente renderam-se a Deus com lágrimas nos olhos em vários cultos da igreja.

 

Muitos dizem que "Entregaram a vida a Jesus" e "o convidaram a entrar em seu coração". Mas, depois que ouviram o evangelho completo entenderam que na verdade só estavam decidindo ser muito bons e muito religiosos, na esperança de que isso lhes assegurasse o favor e a bênção de Deus.

 

Nesse estágio de infantilidade cristã, tendiam a enfrentar muitos altos e baixos emocionais (como crianças), sentindo-se bem quando assumiam um compromisso espiritual e desanimados quando fracassavam em manter uma promessa para Deus. E por isso experimentavam grande ansiedade.

 

Como diz Paulo aqui, eram como crianças debaixo de um "tutor". Estavam a caminho de descobrir Deus no evangelho, mas ainda não tinham chegado lá!

 

3. A lei na vida do cristão

A lei nos confinou "a fim de que pela fé fôssemos justificados" (v. 24). Com o advento da fé, "já não estamos sujeitos a esse guia [i.e., a sua tutela]" (v. 25).

 

Nossos esforços para conquistar a aprovação de Deus pela obediência à sua lei nos mostram que temos de ir além da lei para encontrar tal aprovação. Quando percebemos isso e permitimos que Cristo seja nosso Salvador, aprendemos a lição que a lei buscava nos transmitir como nossa tutora e pedagoga.

 

No entanto, para o cristão, a lei já atingiu o propósito de ser nosso guarda e tutor. Isso quer dizer que podemos esquecê-la? Absolutamente não (como Paulo diria!).

 

Conforme vimos acima, a lei nos serviu de "supervisora" até encontrarmos Cristo, e foi como o guardião de uma criança até ela alcançar a maturidade. Mas vamos estender um pouco a ANALOGIA.

 

A criação de uma criança tem como propósito fazer com que ela, ao chegar à maturidade, não se desfaça dos valores e ensino dos pais ou guardiões, para viver de modo completamente diferente do que aprendeu.

 

Se ela foi bem educada e tudo correu bem, a criança agora adulta não mais será constrangida a obedecer como antes, mas já internalizou os valores básicos e vive de maneira semelhante à de antes porque assim aprendeu e agora faz por vontade livre.

 

Portanto, Paulo não está indicando que não mais temos qualquer relação com os valores da lei de Deus, mas que não a vemos mais como um sistema de salvação. Ela não impõe mais a obediência por meio da coerção e do medo.

 

O evangelho significa que não mais obedecemos à lei por medo de rejeição e esperança de salvação pelo desempenho. Mas, quando nos apossamos da salvação pela promessa, nosso coração se enche de gratidão e do desejo de ser como nosso Salvador e de agradar a ele — e a maneira de fazer isso é obedecendo à lei de Deus.

 

Uma vez que recorremos à lei; motivados pelo amor e pela gratidão.  Somos melhores em nossa obediência à lei do que jamais fomos antes, quando acreditávamos que essa obediência poderia nos salvar. Agora não obedecemos por hipocrisia, mas de verdade.

 

Por quê? Primeiro, se pensarmos que a obediência à lei nos salvará, tornamo-nos emocionalmente incapazes de admitir o quanto de fato ela é investigativa e exigente e que não podemos atender seu rigor.

 

Se buscarmos ser salvos pela obediência a ela, ficaremos o tempo todo tentando limitar ou amenizar a aplicação da lei de Deus, a fim de torná-la administrável para que a guardemos.

 

Segundo, a alegria da gratidão e o amor sempre será a motivação que levará a uma persistência muito maior na obediência do que a submissão motivada pelo medo e o castigo. A submissão pelo medo converte a obediência em trabalho penoso e não vai poder nos ajudar a enfrentar as adversidades e vamos desistir logo.

 

Em resumo, o evangelho nos permite honrar e obedecer verdadeiramente a lei de uma maneira que os legalistas não conseguem. Sem o evangelho, podemos obedecer à lei, mas aprenderemos a odiá-la. Faremos uso dela, mas não a amaremos de verdade.

 

 

 

Só se obedecermos à lei porque somos salvos, em vez de para sermos salvos, nós o faremos "para Deus" (Gl 2.19). Uma vez compreendida a salvação pela promessa, não obedecemos mais a Deus por nós, usando o sistema da salvação pela lei para obter coisas de Deus. Em vez disso, agora obedecemos a Deus por ele, usando o conteúdo da lei para agradar e deleitar nosso Pai.

 

Lei e graça trabalham juntas na salvação cristã. Muitos desejam alcançar alegria e aceitação, mas não admitem a seriedade do seu pecado e nem levam a serio a liberdade cristã, elas estão barateando a graça de Deus.

 

Essas pessoas não estão dando ouvidos à análise investigativa e dolorosa de sua vida e do seu coração empreendida pela lei. Se não entendermos o quanto o nosso pecado ofende a santidade de Deus, jamais teremos o verdadeiro incentivo para uma vida santa.

 

Mas a menos que vejamos quão impotentes e grandes pecadores somos, a mensagem da salvação não entusiasmará nem nos libertará. O evangelismo que ignora a lei enfraquece a graça.

 

A menos que saibamos quão grande é nossa dívida, e que não podemos fazer qualquer ideia de como foi profundo o pagamento de Cristo. Se pensarmos que não somos tão maus assim, a ideia da graça nunca nos transformará.

 

A menos que saibamos quão grande foi a renuncia e o sacrifício de Jesus, jamais seremos movidos a nos dedicar inteiramente e não faremos investimentos mais ousados no reino de Deus.

 

A lei nos mostra como de fato somos. Agora a lei é nossa aliada. Assim, ela nos chama para vermos Cristo como ele de fato é: nosso Salvador, aquele que cumpriu a lei em nosso benefício e depois morreu em nosso lugar para que pudéssemos receber a bênção prometida.

 

A lei nos permite amar Jesus e nos capacita a mostrar nosso amor em grata obediência a ele. Bem disse o salmista, o quanto amo a tua lei, ela é minha meditação o tempo todo.

 

CONCLUSÃO: Precisamos diagnosticar o nosso coração, para não sermos tentados a olhar para os nossos próprios esforços para nos fazermos aceitável a Deus.

 

Nossa conversão só pode ser autenticada no momento em que entendemos o evangelho, onde a nossa visão da lei de Deus vai ser profundamente alterada.

Eu tentei explicar isso durante mais de oito domingos, no debate que fizemos sobre a modéstia, e muitos irmãos não entenderam e por isso não conseguiram caminhar mais conosco.

 

O conhecimento da lei de Deus aumenta a nossa gratidão por cristo e isso faz toda a diferença na nossa afetividade cristã.

 

Muitos de nós já obedecemos à lei de Deus pelos motivos errados.   Mas que o  Senhor por misericórdia nos ajude a obedecer pelos motivos corretos.

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 19/04/2017
Por: Jairo Carvalho

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