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Gálatas: Escravos ou filhos?

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Referências: Gálatas: 3: 26-29; 4:1-7

 

INTRODUÇÃO

Chegamos ao clímax de tudo que Paulo disse até agora. Na verdade, chegamos ao clímax do evangelho:

 

A ideia de que somos filhos de Deus, filhos e filhas do próprio Deus, é a mola propulsora da vida cristã. [...] Nossa condição de filhos de Deus é o ápice da criação e o objetivo da obra da redenção.

 

Se quisermos entender quem é o cristão e por que ser cristão é um privilégio, temos de saber dar valor à doutrina da adoção divina. Se Jesus, na condição de "o descendente" (Gl 3.19), tem todas as bênçãos prometidas a Abraão, então, automaticamente, qualquer um que pertença a Cristo pela fé se torna herdeiro da promessa de Abraão (v. 29) e filho na fé de Abraão.

 

Como essa herança chega até nós? Por meio do Filho, tornamo-nos filhos de Deus por direito legal (4.4,5), recebendo um novo status; e, por meio do Espírito, tornamo-nos filhos de Deus por experiência (v. 6,7).

 

Paulo trata deste assunto, pois estava perplexo como os crentes gálatas; eles não estavam apenas trocando o evangelho verdadeiro por outro evangelho(1.6); mas estavam trocando a sua liberdade em Cristo, pela escravidão da lei(4.9).

 

I. A DOUTRINA DA ADOÇÃO. (3.26-29).

 

1. Filhos de Deus (v.26)

A essência da vida cristã se encontra em Gálatas 3.26: "Pois todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus". Já somos filhos. Não se trata de um objetivo a alcançar, nem de uma conquista futura, mas de algo que já temos. Faz parte do nosso estado presente.

 

Acontece que essa condição de filhos não é um pressuposto universal. Não somos "filhos de Deus" de modo genérico, pelo fato de termos sido criados por ele. Existe a ideia de que todos os seres humanos são gerados por Deus pelo fato de terem sido feitos à sua imagem (At 17.29).

 

Paulo, no entanto, está se referindo a um tipo de relacionamento bem mais profundo aqui. A condição de filho vem "pela fé em Cristo Jesus". Só somos seus filhos quando temos fé no Filho. É pela fé que Deus nos adota.

 

Muitos se ofendem com o uso do substantivo masculino "filhos" para se referir a todos os cristãos, homens e mulheres. Alguns prefeririam traduzir o versículo 26 assim: "Pois todos sois descendência de Deus".

 

No entanto, se nos apressarmos demais em corrigir a linguagem bíblica, perderemos a natureza revolucionária (e radicalmente IGUALITÁRIA) da afirmação de Paulo. Na maioria das culturas da antiguidade, filhas não herdavam propriedades. Portanto, "filho" significava "herdeiro legal", status proibido para as mulheres.

 

Mas o evangelho nos diz que somos todos filhos de Deus em Cristo. Somos todos herdeiros. De semelhante modo, a Bíblia descreve todos os cristãos em conjunto, incluindo os homens, como a "noiva de Cristo" (cf. Ap 21.2).

 

Deus é imparcial em suas metáforas que envolvem gêneros. Os homens fazem parte da noiva do seu Filho, e as mulheres são seus filhos, seus herdeiros. Se não permitirmos a Paulo chamar as mulheres cristãs de "filhos de Deus", deixaremos de perceber o quanto essa afirmação é maravilhosa, graciosa e radical.

 

2. Revestidos de Cristo (v.27). “pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram”.  Como é que a fé em Cristo faz com que sejamos tratados como filhos de Deus? Versículo 27: Paulo explica a esses crentes que pela fé (cuja manifestação pública é ser batizado "em Cristo"), "vos revestistes de Cristo".

 

A imagem de alguém que se veste é uma das metáforas prediletas de Paulo (veja Rm 13.12; Ef 4.24; Cl 3.12). Aqui, ele compara o próprio Cristo a uma roupa. E a ideia de nos revestirmos de Cristo implica quatro fatos incríveis:

 

(a) Nossa identidade primordial está em Cristo.As roupas que usamos revelam quem somos. Quase todo tipo de roupa é, na verdade, um uniforme que mostra nossa identificação com pessoas do mesmo gênero, classe social ou etnia.

Mas dizer que Cristo é nossa roupa equivale a dizer que nossa identidade definitiva não se encontra em nenhuma dessas classificações, mas em Cristo.

(b) A proximidade da nossa relação com Cristo.Suas roupas têm maior proximidade com você do que qualquer outro bem. Você depende delas para lhe fornecer proteção o tempo todo. Elas o acompanham por toda parte.

 

Portanto, dizer que Cristo é nossa roupa é chamar-nos à dependência dele e à consciência existencial de Cristo a cada segundo. Espiritualmente, temos de "praticar sua presença".

 

(c) A imitação de Cristo.Praticar a presença de Cristo acarreta como consequência que nossos pensamentos e atos se desenvolvam o tempo todo como se estivéssemos perante a sua face. Uma expressão bíblica semelhante é "andar na sua presença". Deus diz a Abraão, (Gn 17.1) “anda na minha presença e sê perfeito [‘integro” (“NVI)]”.  

 

Significa introduzir Jesus em todas as áreas da vida e transformá-las de acordo com sua vontade e Espírito. Devemos "nos revestir" de seu caráter das suas virtudes e da sua pureza em todos os nossos atos. Devemos "nos vestir como/de Jesus".

 

(d) Nossa aceitabilidade diante de Deus.Por fim, roupas são usadas como modéstia e adornos. Função principal da roupa é cobrir a nossa nudez. Deus nos tem provido de roupas que cubram nossa vergonha desde a Queda (veja Gn 3.7,21).

 

As túnicas que recebemos são as vestes de justiça, ou atos de Justiça, que cobrem toda a nossa vergonha.  Quando Paulo diz que Cristo é nossa roupa, ele está afirmando, que os atos de Justiça que foram imputados a nós, tornam-nos; aceitos e amados aos olhos de Deus, devido à obra e à salvação de Jesus.

 

Quando Deus olha para nós, enxerga-nos como seus filhos porque nos vê vestido de seu Filho. O senhor Jesus nos tem dado sua justiça e sua perfeição para usarmos. Portanto, Galatas 3.27 é uma metáfora ousada e abrangente de uma vida totalmente nova.

 

Significa pensar em Cristo o tempo todo, ter seu Espírito e seu caráter inculcado e permeando tudo que se pensa, diz e faz. Isso vai muito além do cumprimento de regras e regulamentos. Vai além até da simples obediência.

 

É estar apaixonado por ele, batizado nele, inundado dele. Jamais o cristão necessitará de algum compromisso adicional com a lei de Moisés a fim de receber ou manter a plena aceitação divina. Ele está revestido de Cristo.

 

Vale aqui pontuar uma questão ligada a modéstia; nossos trajes devem seguir este mesmo principio de pureza por duas razoes: Primeiro porque eles são um tipo da roupa de justiça de Cristo, que Deus nos deu para cobrir nossa vergonha, como deu simbolicamente a Adão na queda.

 

Deus não fez uma tanga para Adão, Deus fez uma túnica. Se as roupas que Deus fez para o primeiro casal, iriam simbolizar a justiça de Cristo, não seria de forma alguma algo que explorasse a sensualidade.

 

Segundo, se o vestir de Cristo, é participar de seu caráter santo, logo tudo o que falo, penso, faço ou uso, vai expressar uma conduta santa. Logo um cristão não usa a modéstia e o pudor para ser santo, mas porque é santo. Ele se veste decente porque é santo e não para ser santo.

 

3. Um em Cristo (v.28)

O que Paula fala no versículo 28 “todos vós sois um em Cristo”; decorre desses dois versículos anteriores e nos mostra a unidade entre os cristãos. Não existe nenhuma divisão entre raças diferentes, estrato social ou gêneros.

 

Isso não quer dizer que não há mais distinção alguma dentro da igreja. Não significa, por exemplo, que os gregos não devem manter sua cultura e consciência distintas e que agora precisam tornar-se idênticos aos judeus (esse é um dos pontos principais da carta inteira!).

 

Não pode significar, portanto, que não deveria haver nenhuma distinção entre homem e mulher no que diz respeito ao modo de viver e ao santo ministério. O ensino de Paulo em Efésios 5.22-6.9 e Colossenses 3.18-4.1 mostra que sua afirmação não tinha a intenção de suprimir deveres e práticas distintos de diferentes culturas, classes e gêneros.

 

Não somos todos idênticos ou intercambiáveis, mas somos todos "um". O evangelho tem implicações sociais radicais. Significa que sou cristão antes de mais nada. Que todas as barreiras que separam os povos do mundo em facções rivais caem por terra em Cristo.

 

Paulo cita as três barreiras que costumam dividir as pessoas:

 

Em primeiro lugar a barreira cultural: (v.28) "não há judeu nem grego". Divisões culturais não devem fazer parte da igreja de Cristo. Gente de uma cultura não precisa se tornar igual à de outra cultura para ser aceita por Deus. Ser cristão não é se tornar judeu e nem adotar praticas judaicas.

 

Portanto, devemos aceitar-nos uns aos outros, sem que um grupo considere ou declare a própria cultura superior à dos demais. Dentro da igreja, devemos nos associar uns com os outros e nos amar uns aos outros, transpassando as barreiras raciais e culturais.

 

Em segundo lugar a barreira da classe social: (v.28) "não há escravo nem livre". De novo, a estratificação econômica não deve se estender para dentro da igreja. Dentro da igreja não pode haver divisão de classes sociais, como o mundo o faz.

 

As pessoas não devem associar-se a igrejas que sejam de acordo com a sua classe social (como acontece no mundo e como os evangélicos pós-modernos tem feito), mas, sim, transpor tais barreiras a fim de obedecer e viver o evangelho.

 

Logo, não se deve fazer o pobre ou o trabalhador de salário modesto sentir-se inferior de forma nenhuma, ou ser impedido de ir à igreja, ou reunir em certa igreja, porque ela está localizada em um local nobre e de difícil acesso. (Ex: corretor que ofereceu um terreno perto do terminal de vila velha para uma igreja).

 

Mas tampouco, o rico deve ser vítima de ressentimentos nem ser marginalizado. Uma igreja saudável tem pobre e rico vivendo em harmonia, e pela natureza do evangelho, a igreja local sadia e bíblica sempre terá mais pobres que ricos, mesmo que ela esteja localizada num bairro nobre.

 

Em terceiro lugar a barreira do gênero:"não há homem nem mulher". Essa talvez fosse a barreira mais forte na época de Paulo. As mulheres eram consideradas inferiores aos homens em tudo.

 

A aplicação desse princípio é muito explosiva e controversa até hoje. De qualquer forma, Paulo estava sendo revolucionário. Pelo fato de serem iguais em Cristo, diante de Deus, as mulheres devem ser vistas como pessoas tão dotadas e capazes quanto os homens.

 

É natural perguntar: qual o entendimento de Paulo acerca das implicações do versículo 28 para a sociedade como um todo? "Não há escravo nem livre" seria um chamado à abolição da escravatura? Em caso afirmativo, por que, em Efésios 6.5-8 e Colossenses 3.22-25, ele diz aos escravos para serem diligentes no trabalho?

 

Note bem, a tese de Paulo em Gaiatas 3 é que essa igualdade radical vale para quem está em Cristo. As implicações disso para a sociedade em geral eram só isso mesmo — implicações, que precisaram ser resolvidas por si mesmas ao longo dos anos.

 

Por exemplo, na antiguidade, a maioria das sociedades seguia a lei da "primogenitura": o filho mais velho herdava praticamente todo o patrimônio da família. Nessa passagem, Paulo contraria esse costume ao dizer a todo cristão, homem e mulher, que ele e ela são herdeiros idênticos de Deus, ou seja, herdeiros de tudo de que Jesus é herdeiro.

 

Evidentemente, Paulo não está desautorizando a lei da primogenitura nesse texto. Não era essa sua preocupação direta. Contudo, não menos evidente é que as famílias cristãs que começam a pensar dessa maneira, tão subversiva para as atitudes sociais pagãs, apresentarão a tendência de abandonar a prática da primogenitura.

 

A longo prazo, essa doutrina de Paulo causou um efeito poderoso sobre o modo como os cristãos viviam em sociedade como um todo, que os cristãos foram os primeiros a libertarem seus escravos e a serem mais justos na distribuição da herança.

 

A liberdade do evangelho precisa transformar nossa atitude para com tudo na vida. Mas a mudança social mais ampla não é a preocupação imediata de Paulo nesse ensinamento. Paulo não é um ativista dos direitos humanos, ele simplesmente quer que o evangelho derrube barreiras dentro da comunidade cristã. E isto pode influenciar o mundo.

 

Só as verdades dos versículos 26,27 levam a esse tipo de unidade. De que maneira?

 

Primeiro, as boas-novas do evangelho criam unidade.Os privilégios que temos no evangelho (filiação, v. 26; o Espírito, v. 14; justiça perfeita, v. 11; tudo graças a nossa união com Cristo, v. 27).

 

Esses privilégios são tão extraordinários ao ponto de sobrepujar as maiores vantagens terrenas merecidas ou herdadas. Como posso desprezar ou discriminar alguém que está revestido de Cristo? Por que haveria de sentir ciúmes ou inveja de alguém, uma vez que sou filho de Deus?

 

Segundo, as más notícias do evangelho criam unidade. Como receptores da graça, sabemos que as bênçãos que recebemos são imerecidas, de modo que nosso orgulho de raça, cultura, status ou gênero é afastado e esmagado.

 

Sabemos que somos pecadores como qualquer outra pessoa. Não há nenhuma razão para nos considerarmos melhores do que os outros ou para excluí-los de qualquer nível de relacionamento.  Todos nós somos pecadores, adotados pela graça de Deus.

 

4. Herdeiros por intermédio de Cristo (v.29)

Cada versículo desta seção nos amplia os horizontes, fazendo vibrar nosso coração com tudo que somos pela fé. O versículo 26 aponta para o alto — somos filhos do Criador! O versículo 28 abarca todo o globo — estamos unidos a todos os outros cristãos; somos um em Cristo, independentemente de tudo que, segundo o mundo, nos deveria dividir.

 

O versículo 29 se volta para a história. Ao nos revestirmos de Cristo por intermédio da fé, somos "descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa". Tudo que prometeu a Abraão, Deus tem cumprido e cumprirá em seu Filho, Jesus. Portanto, na condição de seus filhos adotivos, nós desfrutaremos de tudo que ele prometeu.

 

II. A MAIORIDADE E SUA PLENITUDE. (4:1-7).

 

1. A plenitude dos tempos (vv. 1-4).

As grandes verdades de Gálatas 3.26-29 apontam para o alto, para fora e para trás. Requerem uma vida inteira para serem apreciadas e nos oferecem uma eternidade para delas desfrutarmos. No início do capítulo 4, Paulo faz uma pausa nessas verdades para nos ajudar a entender melhor o que significa ser adotado por Deus.

 

Para ilustrar nossa condição de filhos, ele usa a imagem da criança que herda uma grande propriedade. Enquanto menor de idade, ela "em nada é diferente de um escravo" (4.1), uma vez que "está [sujeita] a tutores e administradores" (v. 2). Quando alcança a maturidade, no entanto, toma posse de sua herança.

 

Na antiguidade, a "plenitude dos tempos", ou maturidade, era um processo importante e bem definido. A criança romana que herdava alguma coisa dependia de tutores até os 14 anos e, de certa forma, continuava dependendo de administradores até os 25. Só então esse jovem podia exercitar o controle completo e independente do seu patrimônio.

 

O que significa ser "o [...] menor de idade [...] em nada [...] diferente de um escravo" (v. 1)? A ilustração de Paulo se aplica espiritualmente a nós em três níveis diferentes. Diversos comentaristas escolhem níveis diferentes, mas acho que estão todos implícitos no texto.

 

Primeiro, a ilustração mostra que, na época da liderança de Moisés, o povo de Deus contava com a liberdade espiritual a eles prometida na aliança com Deus, firmada no MONTE SINAI.

 

Todavia, ainda não a possuíam nem a vivenciavam. Com poucas exceções, debaixo da lei mosaica as pessoas não experimentavam a intimidade e a liberdade prometidas, porque os meios e a certeza do perdão eram genéricos e vagos (veja Hb 10.1-4).

 

No segundo nível, ela trata de retrato aplicável a todos os seres humanos. "Assim também nós, quando éramos menores, estávamos debaixo da escravidão aos princípios elementares do mundo" (v. 3).

 

Paulo delineará com mais detalhes o que entende por "princípios elementares" nos versículos 8-11 (no próximo sermão). Mas, como a maioria dos gálatas não nascera judia, ele deve estar falando que todos os seres humanos são "escravos" espirituais antes de se achegarem a Cristo.

 

O que Paulo está querendo dizer que no sentido genérico, todos nós nos encontramos "debaixo da lei", mesmo que nunca tenhamos ouvido falar da Bíblia ou de Moisés. Por quê?

 

Porque todos nós tentamos desesperadamente viver à altura de determinados padrões que nós mesmos estabelecemos. Por isso somos ansiosos e vivemos sobrecarregados pelas preocupações e cheios de frustrações.

 

Mesmo os crentes parecem ter um relacionamento com Deus, distante ou inexistente, pois estão tentando atingir padrões de desempenho, que se tornam nossos salvadores funcionais. Isto é viver escravo da lei.

 

Por fim, no terceiro nível, esse é o retrato de como os cristãos podem, de certa forma, deixar de experimentar a liberdade e a alegria de sua salvação. Mesmo os crentes, Eles podem continuar vivendo dia após dia como escravos, em vez de como os filhos adotivos de Deus que de fato são.

 

Apesar de ricos no evangelho, filhos adotivos de Deus com acesso direto e total ao Pai, pode acontecer de voltarmos a nos relacionar com ele apenas por meio de nossos méritos históricos e morais. E como se nos fosse dado um presente e o devolvêssemos a quem nos presenteou para podermos lutar até fazer por merecê-lo.

 

Logo a escravidão é nosso estado natural.Mas Paulo vai mostrar, como as pessoas podem alcançar a "plenitude dos tempos", e como elas podem desfrutar desse amadurecimento.

 

2. A obra do Filho (v.4)

"Vindo, porém a plenitude dos tempos", (v. 4) que “foi na história”. Em que Deus preparou o melhor dos tempos, para enviar seu filho, ou e em nossa própria experiência de vida; "Deus enviou seu Filho". Logo é o Filho que nos torna maduros, plenos. Como?

 

Primeiro, resgatando "os que estavam debaixo da lei" (v. 5), afastando toda penalidade ou dívida. Em certo sentido, todos nós pertencemos à lei — estamos "debaixo" do seu domínio, somos escravos dela. Temos de cumpri-la, mas não podemos, porque não somos capazes de obedecer às exigências severas da lei.

 

Assim, Deus enviou seu Filho, "nascido de mulher" (v. 4) — um ser humano de verdade —, e o enviou "nascido debaixo da lei" um julgo verdadeiro. Jesus nasceu, como todo ser humano, em estado de obrigação para com a lei de Deus. Mas Jesus tem a capacidade singular de satisfazer a lei, ou seja, de "resgatar os que estavam debaixo da lei" (v. 5).

 

O mesmo termo empregado em 3.13 reaparece aqui, "resgatar". Significa libertar o escravo do proprietário pagando seu preço total. Nesse caso, o senhor do escravo é a lei. Jesus paga nosso preço total à lei (v.5). Cumpre plenamente todas as exigências da lei sobre nós. E, portanto, é capaz de nos libertar dela.

 

Segundo, Jesus nos adquire para que tenhamos "a adoção de filhos" (v. 5). Ele "queria que fôssemos adotados como filhos, com todos os direitos que os filhos têm".  

 

Jesus não fez conosco o que a “A lei áurea”, fez com os escravos no Brasil, que os declarou livre, mas desamparados. Eles não tinham para onde ir ou o que fazer. Muito preferiram ficar como escravos à liberdade. Outros deram inicio as favelas.

 

O que Paulo está dizendo, é que Cristo nos libertou da escravidão, e algo melhor ainda, ele nos recebeu na "condição de filhos" e herdeiros de todas as coisas, ele nos enriqueceu.

 

No mundo greco-romano, um homem rico e sem filhos podia escolher um de seus servos e adotá-lo. No momento da adoção, o servo deixava de ser escravo e recebia todos os privilégios financeiros e legais, tanto no âmbito da propriedade quanto fora, no mundo, na condição de filho e herdeiro.

 

Mesmo que, por nascimento, ele fosse um escravo, sem relação com o pai, a partir de então ele recebia ostatus legal de filho. Era uma vida nova de privilégios. Trata-se de uma metáfora extraordinária para o que Jesus nos concedeu.

 

Portanto, para entender o que Deus enviou seu Filho a fazer, temos de nos transportar para um antigo mercado escravo, a fim de dar valor à redenção, e a uma residência abastada da antiguidade, a fim de compreender o conceito de filiação. Só então, juntos, esses conceitos nos dão um retrato completo do que Cristo realizou por nós.

 

Ainda assim, é muito fácil e comum pensar em nossa salvação apenas em termos do primeiro conceito, e não do segundo. Ou seja, só como a transferência dos nossos pecados de nós, mas não como a transferência dos direitos e privilégios do Filho para nós.

 

Pensando assim, na verdade nos consideramos apenas "meio salvos pela graça". Podemos obter o perdão, mas agora temos {por nós mesmos, e unicamente pelos nossos esforços} viver tentando “sermos bons” na vida para fazer por merecer e manter o favor e as recompensas de Deus.

 

Paulo quer demonstrar aos gálatas, e a nós, que Cristo não apenas afasta a maldição a que merecíamos (3.13; 4.5a) como também nos dá a bênção por Ele merecida (3.14; 4.5b). A honra e a recompensa divinas são tão certas e garantidas quanto o nosso perdão.

 

Para usar outra imagem: a salvação de Jesus não é apenas como receber perdão e libertação do corredor da morte e da prisão. Se fosse assim, estaríamos livres, mas por nossa conta e risco, abandonados para trilhar nosso próprio caminho no mundo, de volta aos nossos próprios esforços, se quiséssemos fazer e ser alguma coisa na vida.

 

Acontece que, no evangelho, descobrimos que Jesus nos tirou do corredor da morte e pendurou em nosso pescoço uma medalha de honra ao mérito. Somos recebidos e acolhidos como heróis, como se tivéssemos realizado feitos extraordinários.

 

A menos que nos lembremos disso todos os dias, ficaremos ansiosos e até desesperançados quando pecarmos ou falharmos. Pensaremos que nossas dívidas foram apagadas, mas que nos cabe registrar boas ações em nosso “carnê” a fim de que Deus nos ame e aceite.

 

É onde muito de nós estamos, porque sós nos lembramos de apenas metade do versículo 5 (“fomos regatados da maldição da lei”). O restante do verso, nos mostra que o nosso carnê foi quitado e nele Jesus anotou sua justiça crédito, da primeira à última página.

 

Agora entendemos que a nossa herança não é um prêmio a ser ganho. É um presente de Cristo. E os dons de Deus, são dados sem arrependimento.

 

3. A obra do Espírito (v.6)

O versículo 6 — "Deus enviou [...] o Espírito" — está em paralelo com o versículo 4 — "Deus enviou seu Filho". O propósito do Filho era nos assegurar o status legal de filhos. Em contrapartida, o propósito do Espírito é garantir a experiência real disso.

 

Trata-se de uma obra diferente da obra do Filho, que nos coloca em uma condição legal OBJETIVA, a qual nos pertence, quer sintamos isso, quer não. A obra do Espírito é diferente. O Espírito nos traz uma experiência SUBJETIVA radical. Veja como a obra do Espirito é descrita:

Em primeiro; o Espírito nos leva a clamar "Aba, Pai".A palavra grega krazdon é muito forte e designa um grito alto, intenso, rasgado. Refere-se a uma paixão e um sentimento profundos, penetrantes. O Espirito nos leva á um clamor intenso.

 

Em segundo; "clamar" refere-se a nossa vida de oração. Como um filho não prepara discursos para apresentar aos pais, assim os cristãos que experimentam essa obra do Espírito encontram grande espontaneidade e realidade na oração.

 

Orar não é mais algo mecânico ou formal, mas cheio de fervor, paixão e liberdade. Logo o fundamento da oração é a nossa filiação. A oração é um relacionamento de Pai e filho. Orar é coisa de pai pra filho.

 

Em terceiro lugar; a expressão "clamar" conota um senso da presença real de Deus. Como é automático a criança gritar chamando o pai que está perto quando enfrentam um perigo, um problema, um obstáculo ou dúvida.

 

Jesus usou essa palavra no seu momento de maior desespero na oração que faz na Cruz; (Mc 14:36) “E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres”.

 

Assim os cristãos que experimentam a obra do Espírito sentem a realidade extraordinária da proximidade de Deus, e podem clamar por socorro e alento. Essa palavra expressa intima comunhão e confiança filial.

 

Em quarto lugar; "Aba" é uma palavra em linguagem de bebê, querendo dizer "papai" ou “paizinho".Ela expressa a confiança no amor e certeza de acolhimento do Pai.

 

Como a criança pequena simplesmente presume que o pai a ama e está a postos para ajudá-la, sem jamais duvidar da segurança e sinceridade dos seus braços fortes, assim os cristãos podem ter ousadia e certeza impressionantes de que o amor de Deus por eles é infinito.

 

A obra do Filho é externa a nós, algo que podemos ter sem sentir. Mas a obra do Espírito é interna e consiste em sermos absolutamente tocados, tanto em termos emocionais quanto intelectuais — pelo amor do Pai.

 

A obra do Filho e a do Espírito jamais devem ser separadas, nem se deve permitir que uma ofusque a outra. A plenitude do Espírito é experimentada quando meditamos no amor do Filho. Os dons do Filho são desfrutados quando olhamos para o Espírito em busca de direção.

4. O privilégio da condição de filhos (v.7) “Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo”. Quais os direitos de filiação? Já que não somos mais escravos, e sim filhos (v. 6): temos intimidade de relacionamento, mas também temos autoridade sobre os bens.

 

Filiação significa que cada um de nós é um "herdeiro" (v. 7). A única razão para o servo ser adotado como filho seria o fato de o pai não ter nenhum herdeiro. Assim, a pessoa da ilustração de Paulo dispõe de um título legal sobre toda a propriedade paterna, pois está sendo tratada como filho único.

 

Para o filho de Deus, todos os dias são dias de confiança e ousadia. Não andamos com medo de nada nem de ninguém; nosso Pai é dono de tudo isso aqui! Deus nos honrará como honra seu único Filho Jesus.

 

Devemos viver com a cabeça bem erguida. Nossa condição de filhos afasta o medo de não nos realizarmos ou de deixarmos de ser aprovados, ou de não conquistar algo na vida.

 

Todo esse medo está presente na raiz (na causa) de grande parte da nossa desobediência. Quando olhamos como fazemos as coisas, pela ótica do evangelho, poderemos está fazendo por motivados pelo medo ou busca de aprovação.

 

Como filhos; temos a garantia de que compartilharemos a glória de Deus no futuro. A espantosa consequência da filiação é que Deus agora nos trata como se tivéssemos feito tudo que Jesus fez. Somos tratados como se fôssemos "filhos únicos", como Jesus.

 

O próprio Jesus disse isso ao orar por seu povo: "Pai [...] para que o mundo creia que tu me enviaste" e "que me enviaste e os amaste, assim como me amaste. Pai, meu desejo é que aqueles que me deste estejam comigo onde eu estiver" ( Jo 17.21, 23,24).

 

CONCLUSÃO: Tudo o que está exposto neste texto está implícito no uso do termo "Aba" (G14.6). Por que Paulo usaria uma expressão idiomática do aramaico numa carta para gálatas falantes de grego que provavelmente não conheciam o aramaico, a língua comum da Palestina? Porque Jesus Cristo usou-a ao se dirigir a seu Pai (Mc 14.36).

 

Era um termo familiar atrevido para ser usado ao falar com o Senhor todo-poderoso. Assim, quando diz que deveríamos utilizá-lo, Paulo está afirmando com todas as letras ser legal a condição pela qual herdamos os direitos do próprio Jesus.

 

Podemos nos achegar com confiança a Deus como se fôssemos tão belos, heroicos e fiéis quanto Jesus em pessoa. Tudo que é dele é nosso.

 

Há, portanto, dois passos específicos que podemos dar a fim de experimentar em maior profundidade nossa filiação.

 

Primeiro, devemos separar tempo significativo para estudar a Escritura vendo a obra do Filho, pedindo ao Espírito que nos ilumine e a torne real para nós.  Devemos aprender a meditar na leitura devocional e a conectar nossa oração a nossa leitura, e nossa leitura devocional a nossa oração.

 

Segundo, precisamos "clamar" a nosso Pai com espontaneidade ao longo de todo o dia, e aprender a desenvolver uma vida profunda de oração. Precisamos tratar toda e qualquer questão da nossa vida diária através da oração, tendo em vista o amor paternal de Deus. Oração é coisa de pai pra filho.

 

Finalmente Concluo com uma pergunta: Estou agindo como um escravo que sente medo de Deus ou como um filho seguro do amor do meu Pai?  Estou vivendo numa servidão emocional, moral, intelectual, relacional ou religiosa.

 

Ao clamarmos "Aba, Pai" em nossa vida, o Espírito faz sua obra, assegurando-nos "de que somos filhos de Deus [...] e coerdeiros de Cristo" (Rm 8.16,17), inundando nosso coração com uma certeza que transforma a vida.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 01/05/2017
Por: Jairo Carvalho

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