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Você nunca deixa o evangelho para trás

PREGAÇÃO NO CULTO DE EXPOSIÇÃO BÍBLICA REALIZADOS ÀS QUARTAS-FEIRAS*

 

Referência: Gálatas: 3: 1-14

 

INTRODUÇÃO: Os cinco primeiros versículos do capítulo 3 fazem uma afirmação extraordinária — muito negligenciada pelos cristãos, mas absolutamente crítica para eles.

 

Na segunda metade do capítulo 2, Paulo demonstrou que somos salvos quando paramos de confiar em nossos esforços morais ou na lei (morremos para ela) e confiamos na obra de Cristo, que cria uma motivação inteiramente nova para tudo que fazemos (vivemos para Deus). O evangelho é o caminho de entrada no reino de Deus.

 

Mas agora Paulo mostrará que o evangelho é muito mais do que isso. Não só somos salvos pelo evangelho, mas também crescemos pelo evangelho. Paulo está dizendo que não começamos pela fé para depois prosseguir em nosso crescimento por meio das obras. Não apenas somos justificados pela fé em Cristo, somos também SANTIFICADOS por ela. Nunca deixamos o evangelho para trás.

 

É o que Paulo declara em 3.1-5, mas, a bem da verdade, esse é o tema dos capítulos 3 e 4 inteiros. Em 3.6-14, ele defenderá a ideia a partir das Escrituras. Os versículos 3.15-25 usam o exemplo do testamento legal para salientá-la e para discutir o papel da lei de Deus em uma vida baseada no evangelho.

 

O trecho que vai de 3.26-4.20 se utiliza do exemplo da adoção e discute os privilégios de ser introduzido na família de Deus. E a passagem de 4.21-31 volta às Escrituras para examinar a vida de ABRAÃO e seus dois filhos, amarrando os fios soltos dos dois capítulos.

 

I.  EVANGELHO: PROCLAMAÇÃO DO CRISTO CRUCIFICADO.

 

1. O evangelho: Um retrato nítido de Cristo

Nos versículos 1-3, Paulo lembra aos cristãos da Galácia como foi que eles se entregaram a Cristo, provenientes do PAGANISMO. Em essência, Jesus Cristo é retratado "como crucificado" (v. 1). Esse retrato é alcançado pela pregação, por meio do "que ouvistes" (v. 2,5).

.

Uma mensagem lhes foi transmitida: "Jesus Cristo [...] crucificado" (veja 1Co 2.1-5). Observe que a essência da mensagem não é como viver, mas o que Jesus fez na cruz por nós.

Inicialmente o evangelho é mais um anúncio de acontecimentos históricos do que instruções sobre como viver. É a proclamação do que foi feito em nosso favor mais do que uma orientação do que devemos fazer.

 

Mas aqui também está escrito que essa mensagem constrangeu o coração. Jesus foi "exposto". A NIV traduz o grego como "claramente retratado"; "claramente" também significa "detalhadamente", "vividamente".

 

É uma referência ao poder da pregação, que nada tivera de árida, como uma palestra. Ela "pintava um quadro" de Jesus, proporcionando aos ouvintes a visão de um "retrato em movimento" do que Cristo fez.

 

"O nosso evangelho não chegou a vós somente com palavras, mas também com poder, com o Espírito Santo e com absoluta convicção" (lTs 1.5). Um cristão não é alguém que sabe sobre Jesus, mas alguém que o "viu" na cruz.

 

Nosso coração se emociona quando vemos não só que ele morreu, mas que morreu por nós. Entendemos o sentido de sua obra em nosso favor. Somos salvos por uma apresentação racionalmente clara e comovente da obra de Cristo em nosso favor.

 

Foi o que aconteceu àqueles gálatas. Eles tiveram fé no que ouviram (Gl 3.2b). Os versículos 2 e 3 são expressões paralelas; onde ele diz a mesma coisa, de duas formas diferentes; Paulo chama a atenção para um fato importante usando o método de repetição. Assim ele contrasta "fé" com obras da lei ,e/o começar pelo Espírito" com "aperfeiçoamento pela carne".

 

Ter fé no evangelho não é simplesmente concordar com as afirmações sobre Cristo (que ele morreu, e ressuscitou), mas parar de tentar obter a salvação pela observância da lei. A palavra que Paulo usa para “aperfeiçoando pela carne", no versículo 3, é epi-teleo, "acabamento".

 

Ela descreve a nossa tendência pecaminosa de seguir o curso normal da nossa vida. Equivocadamente todos nós lutamos para chegar à uma versão "acabada"; “melhorada” de nós mesmos; para que nos tornarmos aceitáveis a Deus, a nós mesmos e aos outros.

 

O problema é que estamos sempre confiando nos nossos próprios esforços para alcançar isso, por meio de realizações, espirituais, morais, vocacionais e relacionais.

 

Paulo diz que ter fé no evangelho ("que ouvistes") significa abandonar por completo essa abordagem, onde tentamos nos aperfeiçoar. Logo devemos parar de querer de realizar as "obras da lei" (v. 2) ou de nos aperfeiçoar "pela carne" (v. 3).

 

Antes de nos tornarmos cristãos, confiávamos em vários projetos de esforço pessoal para nos sentirmos plenos. Mas "ter fé" em Cristo é implementar uma revolução, onde vamos abandonar nossa confiança naquilo que usamos para chegar ao nosso senso de epiteleo (acabamento, melhoramento), reforma, nossa plenitude ou perfeição.

 

O evangelho não faz uma reforma na nossa vida, e nem nos torna melhores, e nem faz um acabamento em nossas imperfeiçoes.  O novo nascimento é uma nova criação, feito a semelhança do Senhor Jesus Cristo; onde: “não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim, e vida que agora vivo, vivo-a pela fé do filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20).

 

Um hino antigo escrito por James Proctor resume bem a ideia:

Depositar nossas "obras" mortas

aos pés de Jesus.

Firmados nele, só nele,

gloriosamente completos.

 

O resultado de crer no evangelho do Cristo retratado em cores vívidas foi que os gálatas "[receberam] o Espírito" (v. 2). O Espírito Santo entra em uma vida através da fé na salvação somente pela graça, por intermédio somente de Cristo. O novo nascimento que Paulo descreve está ligado ao evangelho de forma direta e indissociável.

 

Por isso Jesus pode dizer que nos é dado o novo nascimento através do Espírito (Jo 3.5), enquanto Tiago (Tg 1.18) e Pedro (1Pe 1.23) afirmam que nos é dado o novo nascimento através da Palavra de Deus. São coisas indivisivelmente conectadas. O Espírito não opera separado do evangelho. O evangelho é o canal e a forma do poder do Espírito.

 

2. A Carne: o esforço próprio.

Mas algo havia mudado na vida daqueles cristãos. Eles tinham crido no que ouviram a respeito do Cristo crucificado e tinham recebido o Espírito. Agora, no entanto, haviam se tornado "insensatos" e estavam sendo seduzidos (v. 1).

 

Paulo não poupa palavras aqui! O que deu errado? No versículo 3, ele apresenta sua grande queixa contra os cristãos gálatas e os falsos mestres. Diz que a maneira como o Espírito entra deveria ser a mesma como ele avança em nossa vida.

Declara isso duas vezes, com veemência: "Tendo começado pelo Espírito, [estais] agora vos aperfeiçoando pela carne?" (v. 3).

 

A palavra grega utilizada é sarki, traduzida como “carne" mesmo: "Vocês estão tentando alcançar seu objetivo pela carne?". Como esse termo é paralelo a "obras da lei", do versículo 2, os tradutores da Bíblia concluíram que estar "na carne" significa deixar de se lembrar do evangelho, ou de nele crer, e buscar a plenitude por meio de esforços empreendidos na confiança em si mesmo.

 

Os cristãos pensam equivocadamente que somos salvos pelo evangelho, mas que depois crescemos simplesmente aplicando princípios bíblicos a todas as áreas da vida.

 

Facilmente nos esquecemos que não somos apenas salvos pelo evangelho, mas crescemos aplicando o evangelho a todas as áreas da vida. E não simplesmente aplicando princípios bíblicos aleatórios, a alguma área da minha vida. Não importa o quão bíblico seja um principio, se ele não for guiado pelo evangelho, ele será inútil.

 

No versículo 5, Paulo é ainda mais veemente. Ele Recorre ao tempo presente e diz que, neste exato momento, as obras do Espírito, inclusive os milagres, são realizadas (e não foram realizadas) pela fé e pelo abandono da observância das "obras da lei".

 

O Espírito opera quando os cristãos não confiam nas próprias obras, mas antes, consciente e continuamente, descansam só em Cristo para serem aceitos e alcançar a plenitude. Paulo vincula o Espírito e o evangelho nos termos mais inseparáveis. O Espírito opera à medida que você aplica e usa o evangelho em sua vida.

 

3. Pintando o evangelho de novo

À medida que avançarmos por Gálatas, veremos que nossa incapacidade de obedecer e nos conformar com o caráter de Cristo não é só uma questão de simples falta de força de vontade, de modo que não podemos tratar nossos fracassos apenas "esforçando-nos mais".

 

Afinal de contas, a decisão de simplesmente "esforçar-nos mais" é outra tentativa de resolver nossos fracassos; confiando em nosso próprio empenho para guardar a lei.

 

Em vez disso, temos de perceber que a raiz de toda a nossa desobediência está em como especificamente continuamos buscando o controle de nossa vida por meio de sistemas baseados na justiça pelas obras, sem uma confiança total em Cristo.

 

O caminho para todo progresso como cristão é o arrependimento sincero e constante do nosso coração; assim vamos continuamente erradicando esses sistemas de Autojustificação; (esforços firmados no próprio eu para alcançar alguma melhora). E isto fazemos através de um retrato vivido da obra salvadora de Cristo a nosso favor

 

Precisamos voltar repetidamente ao evangelho do Cristo crucificado, para que nossos corações sejam mais profundamente atingidos pela realidade do que ele fez e de quem somos nele.

 

Portanto, não devemos dizer simplesmente: Senhor, tenho um problema com a raiva. Por favor, remova-o pelo teu poder! Dá-me o poder de perdoar. Em vez disso, devemos aplicar o evangelho a nós mesmos nesse ponto. Paulo nos diria que a amargura descontrolada é o resultado de não vivermos em conformidade com o evangelho.

 

Significa que, embora tenhamos começado com Jesus como Salvador, alguma outra coisa se tornou agora nossa “salvadora FUNCIONAL”, no lugar de Jesus.

 

Em vez de crer que Cristo é nossa esperança e bondade, estamos olhando para outra coisa como esperança, buscando outra maneira de nos sentirmos bem e plenos.

 

Em vez de esperar passivamente que Deus remova nossa raiva ou de exercitar nossa resignada força de vontade contra ela, devemos perguntar:

Se estou com raiva e não consigo perdoar, do que eu acho que preciso tanto? O que me está sendo retido/tomado e que, na minha opinião, necessito ter para me sentir pleno, ter esperança, ser uma pessoa de valor?

 

Em geral, a raiva profunda é causada por algo desse tipo. Talvez desejemos o conforto acima de tudo, ou alguém dificultou nossa vida, de modo que ficamos com raiva da pessoa. Talvez adoremos a aprovação alheia e sintamos raiva de qualquer um que, de algum modo, frustre nossa proposta de popularidade e respeito.

 

Conforto, aprovação, controle; todos são salvadores funcionais. Quando bloqueados, ficamos bravos e amargurados. A solução não é somente nos esforçarmos mais para controlar a raiva diretamente.

 

A solução definitiva É nos arrependermos de nossa justiça própria e da falta de regozijo na obra completa de Cristo, porque estas são as verdadeiras motivações da raiva.

 

Ao fazermos nosso coração "olhar" para o Cristo crucificado, o Espírito operará em nós para substituindo o “salvador funcional” pelo “Salvador real”, e a raiz da nossa raiva ou amargura se ressecará. O evangelho é a fonte da nossa continua aceitação.


 

II. O EVANGELHO PREGADO A ABRAÃO.

 

1. Apresentando Abraão

Paulo agora quer que paremos e meditemos no que aconteceu a Abraão (v. 6). Parece estranha essa conexão com o versículo 5; na verdade, porém, é um golpe de mestre.

 

Lembre-se, Paulo está apresentando sua réplica às alegações dos mestres judaizantes, que dizem: É ótimo que você tenha fé em Cristo; agora, para continuar sendo aceitável a Deus, precisa viver como os judeus.

 

E o pai dos judeus é Abraão. O povo de Israel começou quando Deus prometeu a seu ancestral, Abraão, que faria de seus descendentes uma grande nação, vivendo em uma terra dada e abençoada por Deus (Gn 12.1-3).

 

Mas, neste ponto, Paulo convoca Abraão como testemunha do seu argumento. Parem e pensem em Abraão, ele diz aos cristãos gentios, porque o ancestral dos judeus lhes mostrará que vocês foram de fato "seduzidos" (v. 1) pelos mestres judaizantes.

 

Por quê? Porque, ao olharmos para Abraão, vemos um homem que "creu em Deus, e isso lhe foi atribuído como justiça" (v. 6). O mais importante acerca de Abraão é o fato de ele ter sido um homem "da fé" (v. 9). Paulo está dizendo: O pai fundador do povo judeu concordaria comigo.

 

No versículo 6, Paulo cita Gênesis 15.6 (passagem em que Abraão ainda é conhecido como "Abrão"). A palavra grega empregada por Paulo é elogisthan, de logos, falar. Significa "declarado" ou "contabilizado"; “imputado”.

 

Costumava ser utilizada como um termo contábil quando se queria dizer que o dinheiro estava sendo recebido e contado como pagamento para determinado fim. O verbo "atribuir" também pode ter sentido semelhante, ou seja, conferir um status a algo que não existia antes.

 

Então qual o sentido de dizer que a fé de Abraão "lhe foi [atribuída] como justiça"? Claro que a fé na Palavra de Deus e em suas promessas resulta em justiça! Se cremos que Deus existe e que lhe devemos obediência e adoração, dessa convicção fluirá a vida justa.

 

Aqui trata-se da fé atribuída como justiça. Quando a Bíblia nos diz que Deus atribui à fé de Abraão o caráter de justiça, significa que ele está tratando Abraão como um homem que leva uma vida justa. O texto bíblico não diz que a fé era a justiça, mas que foi contada como (i.e., como se fosse) justiça.

Em Gênesis 15.6, chegamos à conclusão [...] de que [atribuir] a fé de Abraão como justiça significa que Deus "atribuiu-lhe uma justiça que não lhe é inerente".

 

Quando Deus "atribui justiça", confere status legal a alguém. Trata essa pessoa como justa de fato e a livra de condenação, embora ela  tenha cometido injusta no coração e em comportamento. Ela está "justificada". Embora ainda possua uma natureza pecaminosa.

 

Paulo (e Abraão) está nos mostrando que somos amados e aceitos por Deus, embora sejamos ainda sejamos pecadores e imperfeitos. A famosa frase de Martinho Lutero diz que os cristãos são simul justus et peccator — simultaneamente justos e pecadores.

 

2. Seja como Abraão

Eis por que Paulo diz: "Os da fé é que são filhos de Abraão" (v. 7). O que importa não é a linhagem física de Abraão (ser judeu), mas a descendência espiritual (ter a mesma fé que ele). "Os da fé são abençoados juntamente com Abraão" (v. 9, grifo nosso).

 

Portanto, o que significa ser "da fé" como Abraão?

 

(a) Ele nos mostra que fé salvadora é acreditar no do evangelho. "Abraão [...] creu em Deus, e isso lhe foi atribuído como justiça" (v. 6).

 

Abraão não creu do nada, pois ninguém pode crer de si mesmo, a fé é resultado de ouvir a pregação da palavra de Deus Rm 10.17. Abraão creu; pois Deus pregou primeiro o evangelho a Abraão (Gl 3.8).  Logo a fé algo secundário, pois é uma resposta a pregação do evangelho.

 

Note bem, não está escrito que Abraão apenas acreditou em Deus como quem dá um voto de confiança (embora com certeza ele o fizesse!). Esse não seria o tipo de fé salvadora (Tg 2.19 diz que até "os demônios [...] creem"). Antes, ele precisou crer e confiar em tudo que Deus de fato dissera na sua promessa de salvar.

 

Não se pode crer nas palavras de Deus sem acreditar que ele existe, mas é possível acreditar que Deus existe sem crer nas suas palavras! A fé salvadora é diferente da vaga fé genérica na existência de Deus ou mesmo das doutrinas e ensinamentos da Bíblia como um todo, ela é resultado de se crer na pregação do evangelho.

 

Não pregar o evangelho, podemos furtar das pessoas a oportunidade de crer em Cristo e serem salvas.

 

(b) Abraão mostra que fé salvadora é aquela depositada na provisão divina, não em nosso desempenho. Ele não tinha filhos (Gn 15.2), e sua esposa era estéril. Ele não podia ter filhos, mas Deus prometeu que sua descendência seria tão inumerável quanto as estrelas (v. 5,6).

 

Deus entraria na história e realizaria um feito poderoso, sem depender da capacidade humana para nada. A promessa de um herdeiro dependia inteiramente de Deus, não de Abraão. A ele bastava crer que Deus o faria. E, em Gênesis 15, Abraão creu.

 

3. Dois tipos de pessoas.

Abraão era um homem "da fé" (Gl 3.9). Mas havia outro modo de viver. Podemos ser "das obras da lei" (v. 10). Há quem tenha "vida por meio [da lei]" (v. 12). Viver "por meio" de alguma coisa significa confiar nisso para encontrar felicidade e satisfação.

 

Seja pelo que for que vivamos, esse é o ponto principal da nossa vida, o que nos dá sentido, segurança e definição.

É muito esclarecedor nos fazer as perguntas que revelam os fundamentos da sua vida.

 

  • Pelo que eu vivo?

  • Em que minha vida é baseada?

  • O que, se eu perdesse, faria com que me sentisse como se não me restasse vida alguma?

 

Ter fé como a de Abraão traz bênção (v. 9). O resultado de viver pela lei é que estamos "debaixo de maldição" (v. 10). Essa "maldição" tem dois aspectos. Teologicamente, qualquer um que diz: Posso ser salvo obedecendo à lei deve estar preparado para investigar de verdade o que a lei ordena.

 

Para amar a Deus por completo, teríamos de obedecer à lei por completo. Para sermos abençoados em vez de amaldiçoados por Deus, teríamos de analisar a lei e satisfazer todas as suas exigências.

 

E isso não pode ser feito, ninguém nunca obedeceu completamente a lei. Objetivamente, buscar a salvação pela observância da lei significa ser amaldiçoado.

 

Isso quer dizer que, em termos psicológicos, todo aquele que procurar salvar-se por meio do próprio desempenho experimentará uma maldição pelo memos em termos subjetivos.

 

No mínimo, a tentativa de se salvar pelas obras conduzirá a profunda ansiedade e insegurança, porque nunca se pode ter certeza de estar vivendo suficientemente à altura dos padrões da lei, quaisquer que sejam. Isso deixa você supersensível à crítica, intimidado e com inveja de quem o ofusca.

 

Você fica nervoso e receoso (por não saber bem em que posição ou nível espiritual você se encontra), ou então vai ser vaidoso e se gabando (por tentar se convencer da própria posição). De um jeito ou de outro, você vive com a sensação de maldição e condenação.

 

4. A maldição afastada

Como, então, fugir da maldição e desfrutar da bênção prometida às nações (v. 8)? E claro, tudo se deve ao que Jesus fez.

 

Ele nos introduziu na bênção "tornando-se maldição em nosso favor" (v. 13). Paulo cita Deuteronômio 21.23: "Aquele que é pendurado foi amaldiçoado por Deus". No Antigo Testamento, quando se executava alguém, costumava ser por apedrejamento.

 

O corpo, então, ficava pendurado em uma árvore como símbolo da rejeição divina. Não que o sujeito fosse amaldiçoado por estar pendurado, mas ele era pendurado como sinal da sua maldição.

 

Paulo estabelece a ligação disso com Cristo, cuja execução fora em um madeiro para mostrar que ele experimentara a maldição da rejeição divina. Ali, ele nos libertou ("nos resgatou") da maldição da lei, tomando-a por nós.

 

As palavras "em nosso favor" significam "em benefício de" ou "no lugar de"; Jesus foi nosso substituto. Ele recebeu a maldição que merecíamos (v. 13) a fim de que pudéssemos receber a bênção que ele merecia (v. 14).

 

Nossos pecados e maldição são entregues, ou imputados, a ele; sua justiça e bênção e Espírito são imputados a nós. É uma imputação dupla.

 

Observe que Paulo não se limita a dizer que Jesus nos resgatou "retirando a maldição", mas, sim, "tornando-se maldição". Há um paralelo aqui com 2Coríntios 5.21: "Daquele que não tinha pecado Deus fez um sacrifício pelo pecado em nosso favor, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus".

 

Jesus foi tratado como se fosse pecador, como responsável por tudo pelo que uma pessoa má seria responsável. Legalmente falando, ele se tornou o pecado.

 

Por que é tão importante entender isso? Porque revela a maravilhosa afirmação relacionada com o que nos acontece quando cremos. Se Jesus "se tornou" um pecador por nós, então nós, da mesma forma, nos tornamos justos.

 

Se o fato de ele tomar para si a maldição significa que foi considerado por Deus como um pecador, então o fato de recebermos a bênção significa que somos considerados por Deus perfeitamente justos e sem defeito.

 

Salvação significa muito mais do que perdão. Não se trata apenas de ter as dívidas canceladas; também passamos a ser perfeitos aos olhos de Deus. E assim permanecemos em Cristo.

 

Não começamos confiando na morte de Cristo, que o transforma em maldição e nos abençoa, para depois seguirmos em frente “na carne", como se agora tivéssemos de fazer por merecer a bênção contínua.

 

Isso é insensatez (v. 1). Prosseguimos como começamos, tendo o coração amolecido e moldado pelo conhecimento e a confiança no Cristo crucificado. Nós não começamos no evangelho e depois passamos para algum estágio mais avançado — não podemos fazer isso, nem precisamos.


 

Conclusão: uma aplicação pastoral:

O legalismo, a autojustiça, o viver pelos nossos esforços, exerce uma facinaçao poderosa sobre nós. Pois ficamos enfeitiçados com nossas realizações, com nossas metas pessoais e religiosas.

 

O que há de tão fascinante no legalismo que leva as pessoas a abandonar a graça e ficar com a lei?  Isto é porque a carne gosta de ser religiosa, não há nada que dá mais satisfação a nossa carne do que o ser religioso, pois isto apela aos sentidos e se baseia em performance.

 

Todas as atividades religiosas não são um fim em si mesmo. Seja a ceia, seja o batismo, seja o louvor, seja a pregação, seja a modéstia, seja os dons espirituais, a adoração, seja bíblia, seja a oração o jejum, seja qualquer outra coisa, que façamos, para revelar nosso próprio esforço e seja um meio para melhorarmos aos nossos próprios olhos, são nossos salvadores funcionais.

 

A única forma de não sermos contaminados com isto, é viver sempre em conformidade com o evangelho.  Você não pode deixar o evangelho para traz, ele deve nortear tudo na sua vida, cada coisa, cada segundo, cada tudo.

 

*Essa pregação faz parte da série de sermões expositivos que acontecem no Culto de Expositiva Bíblica às quartas-feiras aqui na Assembleia de Deus Marcas do Evangelho, às 19h30. Ficamos na Rua Álvaro Pedro Miranda, 08, Campo Grande, Cariacica/ES. Perto da Faculdade Pio XII.

De: 14/04/2017
Por: Jairo Carvalho

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